Entre as cinco maiores cidades da região de abrangência do Diário, só em Santa Maria os mercados não têm liberdade para funcionar
Nesta semana, Santa Maria se tornou a primeira cidade do Estado a proibir, por convenção trabalhista, que supermercados funcionem com empregados aos domingos, de acordo com a Federação dos Empregados do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecosul). As outras cidades gaúchas em que há essa regra, como São Francisco de Assis, são pequenas, e a proibição respeita legislação municipal segundo a qual não é permitido que nenhum estabelecimento comercial abra as portas. Por aqui, apenas os mercados são atingidos pela regra. Entre as cinco maiores cidades da região de abrangência do Diário, só em Santa Maria os mercados não têm liberdade para funcionar.
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A polêmica começou em Santa Maria em 2008, quando os mercados não abriram aos domingos. Nos anos seguintes, foram aprovados calendários que previam um domingo ao mês e alguns feriados para o funcionamento dos mercados, os santa-marienses terão de se acostumar com a falta de opções, tendo de recorrer aos quebra-galhos de bairro, onde normalmente os preços são mais altos. Já em Santiago, com menos de 50 mil habitantes, essa mudança nem é cogitada pelo sindicato dos empregados do comércio:
- Aqui, se um mercado fecha em um domingo ou feriado, a população toda se alvoroça e reclama. Não se admite nem o mercado fechado no domingo, nem o comércio fechado no sábado à tarde. Até parece cidade grande. Por isso, nós nem tentamos um acordo parecido com o de Santa Maria - diz o presidente do sindicato, Carlos Alberto Ataides Floriano, acrescentando que aos domingos o movimento é intenso nos mercados da cidade.
Em São Gabriel, a situação é semelhante, há liberdade de horários e os consumidores encontram mercados abertos até as 22h nos domingos. A situação é diferente em Rosário do Sul. Lá, já existiu lei municipal que proibia o funcionamento do comércio aos domingos e feriados. Porém, o Nacional teria questionado a medida na Justiça, e a lei deixou de valer:
- Eles entraram com processo de inconstitucionalidade. Atualmente, somente o Nacional abre aos domingos, os outros empresários não têm interesse em trabalhar nesses dias. A população só reclama das filas enormes no único mercado aberto - relata o presidente do sindicato dos empregados do comércio, Fúlvio Garcia.
Em Cruz Alta, calendário está sendo discutido
Conforme o presidente do Sindicato dos Comerciários de Santa Maria e vice-presidente da Fecosul, Rogério Reis, em Cruz Alta a categoria está discutindo com os supermercadistas e com os vereadores a chance de ser criado um calendário de abertura.
Na Região Sul do país, Santa Maria é a única cidade a adotar esse tipo de medida, entre as cidades com lojas do Walmart (BIG e Nacional).
Empresas de fora reclamam de medida
De acordo com Eduardo Stangherlin, presidente do sindicato que representa os supermercadistas, o Sindigêneros, a decisão de fazer o acordo com o sindicato dos comerciários e não abrir mais os estabelecimentos com o uso de mão de obra aos domingos teria sido um consenso da categoria. Cerca de quatro reuniões foram realizadas e mais de 10 empresários participaram das discussões:
- Isso foi muito estudado, pensado, ponderado. Viemos de convenções que têm sido renovadas há cinco anos, então o clima era de consenso. Observamos o mercado de trabalho e também consultamos os consumidores e vimos que era esse o caminho - disse Stangherlin, ressaltando que todos os empresários, associados ao sindicato ou não, foram convocados via anúncio na imprensa para participar da discussão.
Conforme o empresário, outra dificuldade enfrentada pelo setor é a rotatividade dos trabalhadores. Como não há interesse em trabalhar em domingos e feriados, as vagas de trabalho ficam muito tempo em aberto.
- E os nossos colaboradores têm sua opinião: não querem trabalhar no domingo - finaliza Stangherlin.
Porém, as grandes redes de fora, como Walmart (BIG, Nacional e Maxxi), Carrefour e Atacadão sempre foram a favor da abertura dos mercados em todos os domingos. Por meio de nota oficial, o Walmart informou que seria mais interessante à cidade que houvesse a liberdade de funcionamento: "O Walmart Brasil cumpre a legislação em todas as localidades em que opera e entende que a abertura do varejo aos domingos é benéfica para a economia local de qualquer cidade, além de atender as necessidades dos consumidores". Conforme a empresa, apenas a cidade de Londrina, no Paraná, já tinha adotado o sistema de calendário anteriormente.
Sem proibir a abertura dos estabelecimentos, Caxias do Sul estabeleceu regras claras para que os funcionários não sejam prejudicados.
Conforme a última convenção, os trabalhadores só podem ser convocados para trabalhar nos domingos duas vezes por mês, no máximo e, além da folga durante a semana, recebem um prêmio de R$ 40 por domingo trabalhado. Confrontado com esse exemplo, Stangherlin afirmou que economia e as empresas locais não comportam uma medida como essa.
Fonte: http://

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